Se encontrar uma coisa caída no chão, o que faz? Apanha-a ou deixa-a ficar?

Não imaginam as análises que uma operadora de caixa pode fazer no seu dia a dia. Podemos analisar se o cliente é guloso, se está de dieta, se prefere saladas, se gosta de ler, se tem animais de estimação e se os trata bem, se gosta dos mexericos das revistas cor-de-rosa, se vai haver um churrasco ou uma festa de aniversário, se é daqueles que está atento a cupões e a promoções. Enfim, uma série de coisas, isto se estivermos atentas e se nos predispusermos a isso, o que nem sempre acontece...a maior parte das vezes nem dou conta!


No entanto há uns dias, fiz uma uma determinada análise. Caiu para o chão, um artigo daqueles que estão nos expositores, situados junto às caixas. O obstáculo estava lá no chão, não custava nada alguém o apanhar e colocar no sitio ou entregar à operadora para ela o arrumar. O artigo estava mesmo na passagem. Uma senhora passou e contornou o artigo, outra senhora galgou o artigo, outra passou com o carrinho por cima com cuidado de modo a não estragar o artigo, mas também não lhe tocou. Eu a ver aquilo e a pensar "já passaram 3 ou 4 pessoas e ninguém apanhou o artigo, será que o devo ir apanhar, ou esperar mais um bocadinho a ver se alguém o faz"! Logo a seguir uma senhora com um certo sotaque, apanhou-o e colocou no sítio.


A minha conclusão é que devia de ser uma emigrante que, suponho eu, a viver em França, e possivelmente lá as pessoas são atentas e prestam-se a agir desta forma, nestas situações.  


Comentários

  1. quanto à primeira parte do post , o cartão continente faz tudo isso, o resto é uma questão de bom censo

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  2. Olá Caetana tudo bom?

    Acho que não é da nossa competência apanhar os produtos do chão ou arrumar as prateleiras. Desculpa-me a franqueza. Penso que nem sequer o devemos fazer por delicadeza, seria bizarro.

    Mas, o que me traz por aqui é o seu trabalho que apesar de não ser reposição - estar o dia de pé a movimentar-se - sei que é capaz de ser bem mais dificil.

    Já fui caixa num supermercado concorrente e digo-lhe que foi a pior experiencia profissional que tive - e olhe que estou habituado a pegar no batente.

    Em pé 8 horas só podia lanchar dizendo que ia à casa de banho (conselho de funcionários que estavam á mais tempo). Depois se não houvesse clientes tinha de limpar a caixa, arrumar os cestos e inventar trabalho.

    Havia uma senhora que estava na recepção que andava sempre a controlar isso... O ordenado era baixo (minimo) e o trabalho era exigente, pouco gratificante e muito stressante.

    Não gostei nada do trabalho nem do ambiente que os funcionários são submetidos. Para teres uma ideia, quando nos fizeram uma visita guiada pelo supermercado (o maior da cidade) e a engenheira ao abordar os funcionários eles pareciam estar formatados, só diziam "eu gosto muito de trabalhar aqui". Notava-se o medo nos seus olhares.

    Já trabalhei no antigo MODELO do grupo sonae na reposição e gostei imenso da experiência. As pessoas têm formação, o ambiente é de entre ajuda e as coisas fazem-se com gosto. É engraçado que quando sai desse supermercado que não é necessário dizer o nome consegui imediatamente trabalho no Modelo. Que sorte que tive na altura.

    Hoje quando lá vou ás compras é uma festa, as minhas ex-colegas comprimentam-me sempre com um sorriso e ficamos a conversar (que o Belmiro não nos ousa :D)

    Moro no Centro e já fui ai ao Cartaxo a ver se te cumprimentava e pedia um autografo mas não te vi. Um dia passo ai outra vez para vir dai esse autografo :)

    Parabéns pelo canal no SAPO e pelo teu livro. Tens aqui um projeto e tanto.

    Grandes e fortes cumprimentos.
    Até breve.

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  3. Olá Anabela, gosto muito do teu blog e admiro (e invejo) a boa disposição com que encaras as situações. Muita gente pensa que a parte pior de trabalhar num supermercado é o salário, são os horários, as horas de pé, os chefes, etc, mas pouca gente tem ideia que a pior parte de trabalhar num supermercado são as pessoas, que assim como nós, passam por dificuldades no trabalho, mas que não hesitam a passar de agredidas a agressor num instante.

    Trabalhar num supermercado não é mau, mas a forma como somos tratados é muito má, são horas e horas diárias de falta de educação, de falta de valores, de insultos, de bocas, enfim...que vive sabe.

    Espero que continues.

    Obrigado.

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  4. Assim a falar até parece que lidamos com animais. Muito errada essa visão. Querer passar a culpa para os clientes em vez de encarar que o problema é mesmo o ordenado baixo e o tipo de trabalho em si só se equipara a um avião que não descola porque tem um gordo de 200kg. Quer dizer, se o gordo pode ir no avião em principio não haveria problema. Se as pessoas agredirem ou denegrirem alguém são responsabilizadas. Contudo, se nos queixamos das horas extraordinárias não remoneradas somos despedidos.

    O problema não é o que o senhor quer levar a crer. Culpar o invisivel. Parece-nos os senhores da politica que culpam o povo pela situação do Pais. Quem gasta o que não tem são pessoas e entidades que têm crédito. Como o estado, as empresas publicas e privadas.

    O cidadão comum mal tem dinheiro para fazer face ás despeças. Vir aqui dizer que uma vez mais as pessoas é que são as culpadas é cinismo.

    Lá porque diz que trabalha num supermercado, a ser verdade, não significa que conheça de fundo os problemas que os trabalhadores enfrentam no dia-a-dia. Muito pelo contrário, pelo seu discurso, só mostra que desconhece por completo ou então quer passar uma mensagem errada por que lhe convem.

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  5. Vou detalhar o que escrevi porque me pareceu que não percebeu. Para mim (as opiniões das pessoas não têm valor cientifico, valem pela sua experiência empírica), a pior parte de trabalhar num supermercado (não significa que não hajam mais coisas más, é uma questão de hierarquia, mais uma vez, subjetiva), são os clientes. Porquê? Porque uma grande fatia dos clientes são muito, muito, muito mal educados e se de facto trabalha num supermercado, sabe que há clientes magníficos e também se lembrará de gente que merecia levar as chapadas que nunca levou quando era criança. Volto a referir, para mim, ser diariamente tratado a baixo de cão, é a pior parte de trabalhar num supermercado.

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  6. O cartão faz, mas a operadora não tem acesso :)

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  7. Olá Vítor, obrigada pela sua visita e comentário e desculpe a demora na resposta.
    Realmente, ninguém tem obrigação de apanhar as coisas do chão, não é obrigação, mas faz parte da formação da pessoa. Eu jamais, passaria por cima de uma casca de banana no chão, pois além de poder escorregar nela, ela estava no meu caminho e não custava nada apanhar a casca e colocar no lixo ou chegar para o lado.
    Obrigada
    Cumprimentos

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  8. Obrigada!
    Mas olha, a par das situações menos boas, há muita gente simpática e bem disposta que nos animam...

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  9. A sua justificação só piorou. Está a promover a violência infantil como forma de "educação". Isso só se passa numa mente fechada. Leia livros, siga a ciência atual e vai perceber como está errado. Educar nada tem a ver com reprimir. Você deve ser daqueles que se não resultou a violência infantil então é porque é um pau torto... Que feio!

    Se um colaborador tiver formação em lidar com o publico saberá tratar da maior parte dos conflitos e certamente não levará qualquer ofensa de forma pessoal.

    Tem razão numa coisa, as empresas portuguesas não sabem formar as pessoas e esse é um dos motivos que leva alguém a dizer que o pior são os clientes mal educados.

    O pior são as condições precárias que estas empresas oferecem aos seus colaboradores. O pior é um trabalhador olhar para o futuro e não encontrar nada por ter um ordenado de 200 ou 485 euros e uma renda de 500€ para pagar.

    Isso é que é o pior!

    E para esses males só há um remédio.

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  10. Imagino o seu grau de formação e de literacia pela forma como escreve. De qualquer das formas, parece-me que a situação de um colaborar é cada vez mais frágil nesse sentido. Basta um email "bem escrito" por um cliente, para um colaborador a contrato ver o seu destino traçado. A mim não me costuma acontecer, mas vejo muitas vezes os clientes a "atacarem" os colaboradores, só para ver se eles têm a infelicidade de responder de alguma maneira. Depois, pegam nas palavras dele, completamente descontextualizadas e carta com reclamação. Isto é uma violência tremenda. E a mim custa-me muito ver pessoas que passam por dificuldades tremendas no trabalho, servirem de saco de pancada para cidadãos como eles. Já percebi que há quem goste, mas a mim custa-me.

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  11. Nem menos. não é obrigação mas é cortesia, bom senso, boa educação.
    No outro dia noutro supermercado, um funcionario estava com uma caixa enorme nos braços, a repor laranjas. Entrou uma senhora, neste momento caiu uma laranja no chão, ela olhou e *deu um pontapé à dita* . eu apanhei, perguntei-lhe se ao invés de dar um pontapé custava muito apanhar e devolver, e ainda apanhei com trombas. se calhar também achou que não é competência dela apanhar nada do chão.

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  12. Tem mesmo a ver com a formação, e sim por cortesia. Obrigada :)

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