Saber lidar com um "não" e passar à frente, não é para todos
O colete de voluntário, parecia pesar uma tonelada sobre os ombros da Caetana, operadora de caixa, que demonstrava um excelente domínio das técnicas de registo e manuseio de valores. A sua postura mais contida não afeta o rendimento, sendo uma colaboradora de confiança e com grande traquejo na função. Naqueles dias, à sua volta, o supermercado fervilhava com o barulho de carrinhos de compras, caixas registadoras a bipar e conversas cruzadas. Na mão, ela segurava um cartaz com vales do Banco Alimentar. O objetivo era simples: pedir às pessoas que doassem um valor simbólico para ajudar quem mais precisava. O problema? Caetana sentia algum embaraço na ação. Sempre que divulgava a campanha a alguém, o seu coração acelerava. Ela ensaiava uma frase na cabeça, mas as palavras pareciam prender-se na garganta. Quando finalmente conseguia fazer o pedido, a resposta era quase sempre um desvio de olhar, um passo apressado ou um mecânico "Não, obrigado ", ou pior, ouvia qu...