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Gostava de evoluir e melhorar a minha escrita

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Aqui há uns tempos, alguém escreveu um artigo, sobre clientes numa revista de negócios ou algo do género e perguntaram-me se teria sido eu. Mostraram-me um parágrafo. Claro que não fui eu, a minha escrita é muito simples e básica, aquela escrita era de alguém com uma formação superior, havia palavras que eu não fazia ideia do seu significado. Eu fiz o secundário em humanidades, com a modesta média de 13 ou 14. Dez anos depois,  achei que seria bom voltar a estudar e fiz o equivalente ao 11ªano em Contabilidade e Gestão, mas foi difícil, números, cálculos e contas, não são para mim, consegui tirar 11valores mas com muito estudo! Deveria ter escolhido outra área, mas tinha trabalhado num escritório, e gostei do trabalho administrativo, e na altura  foi o curso que me parecia ir nesse sentido. Tive o sonho de ser professora de primeiro ciclo, durante muito tempo, e fui fazer um curso de contabilidade!? Mas gostava de melhorar a escrita. Escrevi dois livros relacionados com este blogue, ma...

A falta que a voz faz...à operadora de caixa

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Não é costume me constipar no verão, mas talvez devido ao excesso de uso do ar condicionado, constipei-me! E uma das consequências habituais é perder a voz! A voz faz-me imensa falta. Tenho de fazer perguntas, cumprimentar as pessoas, divulgar campanhas, dizer o total, agradecer, fazer a despedida. Por vezes nem me dou conta,   do quanto falo . Dava jeito umas plaquinhas com as falas, ou uma gravação, nestas alturas! No sábado estava completamente afónica, e além das frases habituais, como não me ouviam, ainda tinha o esforço acrescido de as repetir até quase à exaustão. Alguns clientes diziam "ah está rouca!", ou, "e... como você está"!, ainda "isso não será covid!?", outros desejavam as melhoras, aconselhavam chás, faziam ainda mais conversa e eu tinha ainda mais de me justificar! Até que, quando perguntei já a falar baixinho, a uma senhora o número de contribuinte, ela respondeu-me também num tom de voz baixinho como o meu, mas não era porque estava com...

A caixa da socióloga

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Nos primeiros tempos da minha vida e até aos meus 20 anos de idade, sonhei ser professora de primeiro ciclo. Em miúda, sempre que iam crianças à minha casa,  incluindo os meus primos mais novos, eu dava papel e lápis e punha-os a escrever. Mas tudo não passou de um sonho, que não foi possível concretizar! Entretanto, com esta profissão de contacto com o público, e quando surgiram os livros, algumas pessoas me aconselharam a fazer uma formação em sociologia , porque tinha jeito. No meu imaginário, eu vou para a universidade, que foi algo que sempre quis, faço sociologia, mas volto para o supermercado, crio uma caixa especial, " a caixa da socióloga", uma caixa , onde não há pressa, onde atendo quem tenha tenha vontade de conversar um pouco. Uma caixa mais lenta, mais virada para a humanidade, para os mais velhos, para quem tiver tempo, e juntava esta minha capacidade, ou dom, com estudo e formação! Que tal!?

A entrevista ao SAPO Blogs

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Meet the blogger Anabela Neves   A Anabela relata, desde 2008,  o seu dia-a-dia como operadora de caixa num supermercado e respondeu a cinco perguntas nossas sobre o blog.   Porque decidiu criar um blog? Tive a ideia de observar “à lupa” o meu aparentemente desinteressante trabalho de operadora de caixa, procurando encontrar mais do que um suceder de práticas que constituem a função de operadora de caixa. Quando comecei a dar atenção aos pormenores, apercebi-me de que, afinal, aquele era um universo rico em experiências únicas e não tão desinteressantes assim. Decidi criar um blogue para registar os aspectos mais marcantes do meu dia-a-dia e também como forma de os compartilhar com outras pessoas. É também uma forma de descomprimir, desabafar e de tornar este espaço útil. A intenção era também fazer com que os leitores tomassem consciência do que é esta profissão e também terem a percepção das figuras que, por vezes, as pessoas fazem no supermercado. Alguma vez foi reconhecida por um ...

Sobre mim

Talvez por culpa minha, muitos dos leitores continuam a tratar-me por Caetana, por isso resolvi actualizar aqui o meu perfil, que ficou assim:   Olá, o meu nome é Anabela Neves, a “Caetana” para muitos de vós, pois era  o pseudónimo que eu usava no  blog. Com a chegada do livro (Outubro de 2011) a minha verdadeira identidade foi revelada.  Este blog conta essencialmente,  situações passadas no ambiente de um supermercado. São, basicamente, as peripécias vividas por mim, enquanto operadora de caixa, em interacção com os clientes. Espero que gostem, que se divirtam e que reflictam sobre o assunto :)

Carta aos "meus" leitores

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Na minha adolescência tive um desejo de escrever um livro. Pois tinha e ainda tenho uma tia (embora já muito velhinha) que na minha infância me contava as histórias mais lindas. Os contos, como ela chamava. Eram histórias tradicionais, mas com uma versão que só ela conhecia, geniais! Como as historias já vinham da mãe ou da avó da minha tia essas versões devem ter mais de 100 anos. Eu tinha um rádio gravador a cassetes e pensei mesmo em gravar os seus “contos” e transformá-los em livro. No entanto ficou apenas esse desejo que não cheguei a realizar.   Entretanto passaram mais de duas décadas, e com estas novas tecnologias e o desenrolar deste blog fui ouvindo dizer que os meus relatos poderiam dar em livro. Inicialmente nem acreditei muito que isso fosse possível. Mas depois, houve um momento em que já estava dentro do projecto e percebi que ia mesmo escrever um livro. Pois é meus amigos, visitantes, leitores, o meu blog vai dar em livro. Se durante cerca quase quatro anos o meu blog e...

Identidade pessoal e relação com a Sonae...

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Gostava de esclarecer algumas dúvidas que me têm sido colocadas relativamente à minha identidade pessoal e à minha relação com a Sonae. Antes de tudo, deixem-me confirmar que "existo", ou seja, sou uma pessoa física (a fotografia que está junto ao título é minha), tenho um nome, uma casa e uma família como qualquer outra pessoa. Portanto, aqueles que pensam que a Caetana é um produto inventado, um "avatar" da Sonae, estão muito enganados. A minha relação com o grupo em questão não passa da normal entre empregado-entidade patronal, ao nível mais baixo da hierarquia.   Sei que o que intriga a maioria das pessoas é o facto de o meu blog fazer constantemente referências a marcas, campanhas, promoções e outras coisas afins. Na verdade não me importava de receber uma comissãozinha para ajudar o meu orçamento. No entanto sou demasiado tímida para me expor perante a minha hierarquia e além disso amo a minha independência. Quero escrever o que me apetece, se me apetecer dize...