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Quando o cliente quer falar com alguém superior

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  Na caixa de supermercado, é habitual assistir-se a uma situação caricata: sempre que algo não agrada ao cliente, o primeiro impulso é pedir para falar com o gerente, com o chefe ou com "alguém superior". Julgo que as pessoas assumem que falar com alguém no topo da hierarquia contorna a burocracia e resolve o problema na hora. Um destes dias, um cliente de certa idade aproximou-se da minha caixa e disse que queria falar com o chefe da secção da fruta. Perguntei-lhe delicadamente se o podia ajudar, e foi aí que ele revelou o grande motivo (pasmem-se): “havia uma laranja podre na banca das laranjas”. Expliquei-lhe: “Sendo o senhor a escolher as laranjas, basta não a trazer”. Ao que ele respondeu: “Pois, mas eu não reparei e ela já vinha no saco. Tive de voltar atrás. Vocês não podem ter lá laranjas podres!”. Perante isto, respondi com calma: “Sabe, qualquer pessoa erra. Se até o senhor não reparou nela ao escolher, o funcionário que repôs a banca também pode não a ter ...

Situação que se repete algumas vezes

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É verdade que o espaço é limitado nesta zona, mas são inúmeras as vezes que os clientes puxam os carrinhos de compras sem olhar, acabando por bater nos checkouts e derrubar artigos. Seria bom se tivessem um pouco mais de atenção.

O tapete rolante da caixa revela os nossos segredos, vícios e rotinas?

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  É curioso como analisamos a vida dos outros através do que ali é colocado. De um lado, um carrinho cheio de vegetais, soja e quinoa; do outro, um repleto de pizzas congeladas, refrigerantes e chocolates. Contudo, não pensem que a operadora de caixa descobre os vossos segredos em cinco minutos de atendimento. Nós atendemos centenas de pessoas por dia e a nossa mente não é um computador. Além disso, acredito que as compras de segunda-feira sejam muito diferentes das de sexta-feira: a segunda marca o início da semana de trabalho, enquanto a sexta-feira costuma trazer visitas, festas e excessos. Por isso, não se preocupe com o cliente ao lado que tem pressa em colocar o separador; ele não o vai julgar, a não ser que seja daquelas pessoas que gostam de criar filmes na cabeça. Afinal de contas, aquele separador não divide apenas as compras de duas pessoas: divide dois universos, duas dietas e, muitas vezes, duas classes sociais.