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Dias calmos e dias agitados no supermercado

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Aqui há uns dias ajudei uma senhora na escolha de um alimento para o seu animal de estimação. Ela queria algo para um gatinho bebé, e não sabia o que lhe dar. Trazia ração e paté para gato adulto. Então, e como era um dia calmo, uma segunda-feira, expliquei onde estava a alimentação adequada,  e  à segunda tentativa, lá encontrou. Lá me contou como o animal lá tinha ido ter a casa. Eu que adoro gatinhos e também tenho um, o assunto entusiasmou-me, dei alguns conselhos e dicas. Dias depois voltou lá, e eu,  que até não sou boa a decorar caras, lembrei-me dela e do gatinho. Então perguntei, como estava o animal. Era só uma pergunta. Mas era um dia com muito mais movimento. Mas a senhora, falava, falava, dos feitos e gracinhas do bichano, e não arrumava os produtos, até foi ao telemóvel, procurar fotos do gato para me mostrar. Eu já arrependida de ter perguntado, as pessoas na fila a olhar. Estava um senhor a rir-se na situação e a perceber a minha afliçã...

Velhotes castiços

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Há um velhote, super castiço, que mesmo quando não vai à minha caixa, vai sempre meter conversa, vai principalmente  falar do meu gato. Há duas semanas lá foi ele dizer-me que vinha aí o frio e que eu tinha de fazer uma camisola para o gato. Então eu disse-lhe que infelizmente já não tinha esse gato. O senhor ficou comovido,  disse-me que bem sabia o que custava  perder um animal, quando se tem amor por eles, o senhor que sempre brincava, ficou sério! Esta semana já lá voltou e mais uma vez, foi só meter conversa e desejar um bom dia, já não falou do gato!

A morte de Marco Paulo foi tema de conversa

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Hoje o assunto do dia, foi a morte do cantor Marco Paulo. Apesar de muitos o saberem doente, não deixou de ser inesperado. O assunto era abordado, principalmente, por pessoas na casa dos sessenta anos, e principalmente senhoras. No entanto, houve um senhor que também me falou no assunto, disse que tinha ouvido a noticia na rádio a caminho do supermercado. É que até podia haver pessoas que não gostavam do género de música ou da pessoa em si,  mas todos o conheciam, todos se lembram, do Marco Paulo, dos caracóis, do seu estilo ao segurar no microfone e mudar de mão para mão, da sua passagem pela Guiné na tropa, na guerra colonial, do seu afilhado, das milhares de fãs que sempre o acompanhavam. Uma senhora, levava uma revista em que ele era capa, mas que tinha saído antes da morte, e mais uma vez falamos um bocadinho sobre ele. O Marco, foi realmente um marco na história da música em Portugal. Parte o cantor, ficam as canções!  

Eu gosto do dia R 8

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O dia do reformado receber a sua reforma é o dia 8, mas também se estende ali a 9 e 10. Aqui há uns tempos era a dia 10. É um dia que gosto muito. Gosto dos velhotes castiços, a maioria são simpáticos, querem contar coisas, fazer desabafos, conversar até de trivialidades. É  preciso alguma paciência é certo, porque há momentos em que temos de abrandar, dar espaço, dar tempo, mas acho que consigo dar conta do recado, com tranquilidade! É sempre bom  rever, certas caras, que só vão nestes dias, porque é quando o "patrão" lhes paga! Há vidas difíceis, reformas pequenas, mas eles acima de tudo,  mostram carinho e afeição por nós! Hoje senti-me recompensada!

Já é a terceira vez que me conta essa história

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Há um cliente, o Sr. Aranha que acredito que precise de meter conversa, quer seja para reclamar de alguma coisa, mesmo que seja exterior ao supermercado, quer seja   para contar alguma história. Ele não é daquelas pessoas de fácil trato, é até um pouco chato, mas tento ter paciência, porque certamente não deve ter quem o ouça. Pela terceira vez,   contou-me a mesma história, sobre uma máquina de café que comprou no continente. Diz que tinha uma, pensou que estava avariada, comprou outra e depois percebeu que a outra estava boa e agora tem duas. E leva dois tipos de café, um para cada uma das máquinas, e depois ainda fala sobre se é ou não bom beber muitos cafés! É mais um monologo! Enfim, vou aguardar pelas próximas aventuras das suas máquinas de café!

O senhor disse o código em voz alta

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Estou a atender um senhor, [ na casa dos 60 anos] que pretende descontar o saldo do cartão continente. Digo ao senhor : "para descontar o saldo tem que colocar um código, sabe qual é!?" Ao que o senhor responde: "sei, é o 19**!" Eu logo muito rapidamente digo: "não é para dizer, em voz alta, era para o senhor colocar aí ..." A senhora, cliente seguinte, que estava a colocar as compras no tapete, riu-se. Também esboço um sorriso, mas digo-lhe "acho que a culpa é minha, fiz mal a pergunta!" É então que o senhor, diz :" não se preocupe, também não é uma fortuna que lá esta!" Mas eu reitero ao senhor que nunca se deve dizer códigos a ninguém, nem em voz alta! Quando o senhor saiu, falamos sobre a ingenuidade das pessoas e sobre o facto de escolherem datas de nascimento para códigos, por ser logo o que quem tem má intenção , vai experimentar!

Tal mãe, tal filho

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Estou a atender uma casal, ambos simpáticos e alegres. A dado momento dizem-me ser pais de um colega. Quando me dizem o nome, olho para a senhora e vejo logo traços desse colega, então digo "ah e ele parecido consigo!" O senhor olha para mim e responde: "então e não é também parecido comigo?" Ups,  fico ali por breves momentos em silencio, até que a senhora me diz, que ele também gosta de ouvir, que o filho é parecido com ele! E foi mais um momento de boa disposição, com clientes divertidos!

O dia do reformado ir ao supermercado porque recebeu a reforma

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São pessoas a quem devemos respeito, e calma no atendimento, pois já não têm o desembaraço de outrora. Há um casal com quem uma vez vez falei sobre o meu gato, e o senhor, nunca mais se esqueceu e pergunta sempre sobre o bichano.  Outra senhora que me perguntou, como estavam as minhas costas. É  sempre bom o convívio com este pessoal do dia R 8.

Uma menina muito educada e simpática

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As crianças são mesmo especiais. E com a sua pureza e doçura, são capazes de transformar os nossos dias! Estava a atender uma senhora com a sua filha que devia de ter uns 4 ou 5 anos. A menina apresenta-se dizendo o seu nome! Eu disse-lhe que ela tinha um nome muito bonito e que também ela era linda e simpática! Então ela perguntou-me como eu me chamava. Respondi. Diz-me ela: "És parecida com  a Elsa"! Ao que eu pergunto: "Que Elsa?"  Ela diz : "Da Frozen!" Talvez porque eu estava a usar uma trança! Para mim foi um elogio! Deixou-me emocionada! E despediu-se de mim calorosamente! Tão querida! Tornou o meu dia, bem melhor!

As frases de uma operadora de caixa

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Foi quando estive uns dias afónica que tomei noção do quanto  precisamos de falar. Estas são apenas algumas frases quase obrigatórias, depois também faz falta a dita conversa de circunstância , se não, parecemos uns robôs,  é a conversa que mais gosto, quando o cliente e a situação o permite! Devo ressalvar, que neste supermercado a nossa revista magazine, se vende tão bem, que nem é preciso solicitar! O que não é fácil "vender" , para mim, são os vales,  mas há quem o consiga fazer. Nem todos conseguimos ser bons em todos os pontos! Os sacos para os congelados , são, no meu ponto de vista, aqueles que agora, as pessoas, mais trazem de casa! Também temos de pedir trocos, é essencial, para que não faltem moedas e principalmente notas de €5!

Estes acontecimentos trágicos do últimos anos

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Uma cliente falava de todas as situações que tinham surgido nos últimos tempos e que nos tinham afectado de alguma forma, fosse em perda de liberdade, fosse em aumentos dos preços dos produtos, fosse pelo medo e pela negatividade que nos trouxe. E em relação à pandemia, dizia ela, que no inicio, se dizia que seria para tornar as pessoas com hábitos melhores, mais higiénicas, mas civilizadas, mais solidárias. Mas que, parecia não ter feito esse efeito. E ao ouvir isto, lembrei-me de uma história, que se terá passado mesmo antes de Cristo, que conheci não só pelas escrituras, mas também porque vi num filme épico, na Páscoa... Para convencer o faraó a libertar o povo hebreu da escravidão, Deus enviou 10 pragas, as conhecidas 10 pragas do Egipto. Agora estas novas pragas (as pragas do SEC. XXI) que estão a surgir, qual será o objetivo? Haverá algum? Ou é tudo acidental!? Pois não sei...

Um quase roubo

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Estou a atender um cliente que estava numa de conversar, conversar. Eu estava a tentar despachar, mas o senhor queria mais conversa. A dada altura ouço um alarme, que me parecia não ser da minha caixa, parecia vir de longe, e então olhei para trás. É aí que esse senhor que trazia uma mala preta ao ombro, retira da mesma umas laminas dentro de uma caixa com alarme e diz, na maior das descontrações : "Fui eu,  fui eu ! Meti isto aqui para não misturar com a comida e quase que me esquecia de as pagar! Ainda ia o segurança atrás de mim e passava vergonha!" Era um produto caro. Fiquei ali uns segundos  a processar a situação, e pedi ao senhor para não voltar a fazer isso. Ele diz: "pois, já viu a minha situação, que vergonha!! Eu nem sabia o que pensar. Ou o senhor é bom actor ou estava mesmo a ver se levava o artigo sem pagar! E depois quem se sente mal sou eu. Mas alguém guarda um artigo dentro da mala com intenção de o pagar!?

Os velhotes e as vacinas...

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Sei que são mais as vezes que partilho situações  negativas do que positivas, porque talvez elas me deixem mais insatisfeita e porque assim consigo dar o feedback ao público de como esta pandemia não deu para "civilizar"  as pessoas, como no inicio todos achávamos, mas para trazer ao de cima, o pior de muitas delas! No entanto, também há dias bons, pessoas sensacionais, humildes, ordeiras, simpáticas. Consigo até dar pela falta de algumas pessoas, consigo até sentir saudades das boas e até divertidas conversas que costumávamos ter. Embora as conversas hoje em dia vão, quase  todas,  parar à pandemia! Ontem, atendi dois casais de velhotes, que são uns queridos. Aquele "olá menina. então como tem passado? Há que tempos que não nos víamos!" Um dos casais apenas não tinha  aparecido, para se resguardar, mas o outro... Quando eu digo que já não os via há muito tempo, a senhora contou-me que "foi o covid"! Então eu pergunto-lhe  se esteve com o...

Conversei com uma pessoa que levou a 1ª vacina do covid-19

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Chega uma senhora à minha caixa, uma senhora simpática, bem parecida, com um casaco muito chique . Queixasse do calor que está ali na zona das caixas. Disse-lhe que era normal estar ali calor. É aí que começa a nossa conversa, numa altura de acalmia,  enquanto registo as compras. Cliente : Sim, e também deve ser da vacina , que levei ontem. Eu: Vacina!? Mas a do covid!? Cliente : Sim, sim Eu: E então correu tudo bem? Doeu? Cliente : Sim, correu. Não doeu. Esperei o tempo devido, sempre bem. Já em casa tive um pouco de febre, dor de cabeça, calor. Mas é tudo normal, tudo que era aspectável, porque na verdade estão a injectar-nos um vírus e é normal que tenhamos alguns sintomas do covid. Se não tivéssemos qualquer sintoma, era porque a vacina não estava a fazer efeito. Eu: Não sabia. Ainda bem que correu bem. Sem medos, não é!? Cliente : Eu confio, eu tenho esperança. Se a classe cientifica se uniu, para erradicar o vírus, temos de acreditar. Tenho ...

Tanta conversa!?

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Lá vai o cliente para a caixa, a parte mais chata, pois é aquele fim de linha, onde é preciso esperar e pagar. É ali, que por vezes, as nossas perguntas, que fazem parte do nosso trabalho, parecem demasiadas e incomodar quem está com pressa.   Num destes momentos eu percebi que uma senhora ora batia o pé, ora olhava para o relógio, ora ainda, suspirava. E suponho que tantas perguntas feitas ao cliente que estava a ser atendido, nomeadamente: tem cartão continente , precisa do número de contribuinte na fatura , está a fazer a caderneta da pyrex , fez com que ela fizesse mais um suspiro e dissesse, baixinho " ai, tanta conversa"! Se calhar, não era suposto eu ouvir, mas ouvi!   Mas compreendem que temos mesmo de as fazer certo? Somos humanos. Sei que a maioria entende e aceita.   Quem não quer saudações, conversas nem  perguntas, vai ao robô (caixa selfservice), mas olhem que até esse, diz  umas palavras, mas ninguém lhe responde e ele não se importa nada!   Não é preferível...

O homem prendado

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Desta vez conto, uma situação engraçada.   Atendi um senhor, aí na casa dos 55/60 anos, que estava a conversar com a senhora, talvez pela  mesma idade, que eu ia atender a seguir. Deviam de ser amigos, pois o senhor estava a contar-lhe qualquer comida que tinha feito, e depois concluiu dizendo: "...e agora vou aspirar a casa, que está cheia de migalhas"! Despediram-se , o senhor seguiu, e a senhora diz-me: " Mas onde é que andava este homem, quando eu quis casar ?!"  

Não consigo acompanhar a conversa daquele senhor

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Há um cliente que nos costuma visitar quase todos os dias, um cliente habitual. Um senhor, educado, culto, muito falador.   Quase sempre pega numa deixa nossa ou de alguém e arranja uma história para contar. Um dia, alguém falou do tempo do Salazar, e ele encontrou logo uma história, onde mostrou ter conhecimento da política da época, mas a meio da conversa, eu perdi-me, e já não estava a conseguir acompanhá-lo. Ele fala muito e depressa. De outra vez a conversa era sobre um país qualquer onde ele esteve a trabalhar, e mais uma vez, ele acabou a conversa num monólogo, porque eu não o consegui acompanhar até ao final! Eu até me esforço por o entender, por lhe dar respostas, mas a determinada altura a conversa está tão confusa, que antes de eu diga algum disparate, apenas vou concordando...   Sei que não sou a única a ter este problema, já outras colegas também se queixaram do mesmo! Nós não o conseguimos seguir até ao final da sua conversa.   Por vezes queremos ser atenciosas, mas assim...

Dia ganho

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É tão bom estar no trabalho e aparecer uma criança tão simpática, conversadora, inteligente, e principalmente tão educada...   Nem precisou da ajuda da mãe na conversa, já sabia a data de quando as aulas iam começar, também pensei que ia para o 1º ano, mas disse-me logo que já ia para o segundo...   E é assim que se ganha o dia...

Os temas do momento

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Nestes últimos dias, os temas de conversas com os clientes, são os tais três: A visita do Papa, a vitória do Benfica, e a estrondosa e inesperada vitória de Portugal na Eurovisão da Canção. E é esta última que é consideravelmente maior. Pois como dizem, nem todos são devotos, nem todos são benfiquistas, mas todos...somos portugueses! E, a pesar que muitos  terem achado que a música não tinha potencial para ganhar, eu inclusive (e como estava enganada), sentem-se orgulhosos e agradecidos ao Salvador pela vitória!

Ficar a fazer sala

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A cliente que acabei de atender em vez de retirar os seus sacos de cima do tapete e ir à vidinha dela, fica encostada a conversar com uma amiga, que por lá passou.   A cliente que começo a atender não tem espaço para colocar as suas coisas e a pessoa que a acompanha diz: "Espera a senhora tirar as coisas". Ao que esta responde: " Esperar!? Então mas isto aqui, não é para ficar a fazer sala!"   Mesmo assim, a outra  senhora, ou porque não ouviu, ou porque não se deu conta, ou até mesmo porque lhe apeteceu, ainda demorou um bocado para retirar as suas coisas...