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Momento de desassossego

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  Chega à minha caixa um jovem casal com cinco crianças — creio que eram todos filhos deles! Pelo tamanho, tinham idades muito próximas, talvez dos sete ou oito anos para baixo. Eram crianças de uma energia incrível e, sem querer ofender, completamente indisciplinadas! O pai trazia o mais pequenino ao colo, enquanto os outros corriam por todo o lado, mexiam em tudo, chamavam pela mãe e pediam mil coisas! Os pais imploravam para acalmarem, mas de nada valia! Duas das crianças brincavam desalmadamente com os rolinhos do tapete da caixa de saída... aquilo estava totalmente fora de controlo! De repente, olho para a caixa ao lado, que estava fechada e sem operador, e vejo o quê? Um dos miúdos em cima dos rolinhos, de pé e descalço, com os pés a rolar! O pai, aflito com o bebé ao colo, disparou a correr para o tirar dali de cima — por pouco não caiu e se magoou a sério! Nunca tinha visto crianças tão endiabradas em toda a minha vida! Coitados daqueles pais... Se em público é este...

Pequenas coisas que fazem a diferença

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Estávamos na fase do cupão de 15% – aquele que funciona de forma um pouco diferente dos outros. Neste sistema, existe um período para acumular o valor e outro, logo a seguir, para o descontar. Não é possível acumular continuamente ou usar o desconto quando bem lhes apetece. Este sistema mantém-se igual há pelo menos 10 anos, mas as mesmas pessoas, aquelas que não gostam do modelo, queixam-se sempre. Ou porque se sentem obrigadas a voltar num período que não lhes dá jeito, ou porque têm receio de se esquecer, ou até, segundo alguns, porque acham que fazemos isto de propósito para ficar com o dinheiro de quem não descontou o saldo a tempo. Então, lá estava eu, mais uma vez, a explicar o funcionamento do cupão a um casal que não parava de reclamar. Diziam que o dinheiro ia ficar para o meu patrão porque moravam longe e só vinham ali uma vez por mês. Calmamente, perguntei se na zona deles não havia um mini-mercado chamado “Meu Super”. A senhora respondeu que sim. Expliquei-lhe, então, ...

Cada Cabeça, Cada Sentença... e muito Contactless

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Era um domingo, dia de grande afluência no supermercado, e as filas eram enormes. Confesso que não gosto de dias muito parados, com poucos clientes, mas também me preocupam aqueles em que não vejo o fim da linha e há demasiada gente no mesmo espaço. Como costumo dizer, já levo mais de duas décadas como operadora de caixa e estou habituada a este ritmo. Podem achar que é um trabalho monótono — sempre as mesmas pessoas, as mesmas atitudes, a pressa e as conversas de circunstância. No entanto, se estivermos atentos aos pormenores, descobrimos que há sempre situações novas e diferentes que merecem a nossa atenção. Estava a atender um senhor jovem. No momento de fazer o pagamento, ele inseriu o cartão de multibanco, mas o chip dava erro. Repetiu o processo umas quatro ou cinco vezes. Perguntei-lhe então se podia tentar; tentei uma, tentei duas vezes, e o erro persistia. À terceira tentativa, ao mesmo tempo que lhe dizia "vamos tentar assim…", aproximei o cartão do terminal para ...