Em modo despedida
Isto não é suposto ser um blog de desabafos pessoais. É um blog de desabafos profissionais. Mas por vezes há uma ligação entre ambos. Eu ando desanimada, nos últimos três dias, sinto-me em modo de despedida. A despedir-me deste trabalho. Mas sem vontade. Sem vontade de deixar um trabalho, que até me satisfaz, que gosto de fazer, que me faz sentir útil e realizada. Tanta gente passa uma vida a fazer algo que não gosta, mas, não é esse o meu caso. Encontrar um outro trabalho, que não exija esforço físico de mim, já que com os problemas de coluna que tenho, não o poderia fazer, não será fácil.
E porque terei eu de sair? Por causa de uma incompatibilidade de horários, num dia da semana. Ás sextas feiras, não posso sair às 16h, porque o meu filho saí ao ás 12.45h e ficar até as 16:30h no mínimo, sozinho na escola à minha espera, não será conveniente. E porque não vem ele sozinho para casa, já que fez 11 anos? Justamente porque ele não consegue abrir as portas para entrar. Já treinamos tanto o abrir da porta , que se estragou uma fechadura. Se já expliquei o facto à minha chefia: Sim, já! Mas desta vez não há outra alternativa, pois já há 3 operadoras a entrar cedo, e se juntar uma quarta, não haveria ninguém na hora de almoço para trabalhar. É complicado.
Tenho duas hipóteses, ou me despeço e saio dignamente, ao fim de 12 anos de casa; ou vou faltando até atingir as cinco faltas injustificadas que por lei tenho direito, na esperança que aí na quarta falta, o rapaz já tenha ultrapassado o problema e já consiga abrir as portas. Mas não me vou conformar de perder assim o meu trabalho e deixar o meu filho ficar também com esta culpa.
Noutra ocasião, ajudaram-me no trabalho, pois por morte de um irmão a lei apenas permite dois dias, mas com as circunstancias trágicas desta perda, arranjaram forma de me dar dias de compensação e de trocar folgas. Sim neste caso não tenho qualquer razão de queixa. Nem é queixa que eu tenho agora, compreendo que seja complicado. Eu é que ainda não recuperei deste golpe da perda tão trágica de um irmão, que estou sem energia para "lutar" a fim de arranjar soluções, pois já procurei, procurei e só encontrei obstáculos!
Mas se eu perder o meu trabalho, eu sou quem mais perde, porque ninguém é insubstituível. Logo no dia a seguir já terão alguém para o meu lugar. E eu perco algo tão importante para mim. Mas entre deixar o meu filho perder o interesse pela escola, e se meter em encrencas na escola, prefiro arriscar…mas que depois vou ficar desolada, isso sei que vou. Nunca fui pessoa de entrar em depressões, mas isto, tudo junto…é difícil superar!
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