Se quer/precisa de prioridade, peça, solicite, avise

Era sábado. Havia filas. Nestes momentos a minha preocupação é ser o mais profissional possível e ser despachada.


 


Quando chega a vez de uma jovem (acompanhada por uma senhora mais velha) diz-me :


 


Jovem - Você tem de ter mais cuidado, porque agora não dar prioridade é crime!


 


Olhei para a jovem que me pareceu normal, supus que fosse gravidez, e disse-lhe:


Eu - Sim, mas se conhece a lei, também deve saber que é o cliente prioritário que tem de se manifestar, principalmente se o facto não é visível.


 


Ela a rir-se responde:


Jovem - Não é visível!? Oh por favor!


 


É quando olho para o chão e vejo que tem uma ligadura na perna do joelho para baixo, e respondo:


Eu - Pois é, mas eu não estou a olhar para baixo. Não custava nada pedir...


 


Mesmo sabendo que tem de ser o cliente a solicitar a prioridade, já muitas vezes, ao ver alguém nestas condições, eu pergunto ( e uma vez um senhor disse-me que eu não podia perguntar, que tinha de deixar que me pedissem, porque era assim que estava na lei), mas neste caso não vi...


 

Acho que não havia necessidade deste tratamento por parte desta jovem, parecia que me estava a ameaçar. Será que agora, além de todas as tarefas que estou a fazer, tenho de estar a ver se há alguém prioritário? Ainda há dias uma outra jovem que tinha um bebé, disse que não queria prioridade...


Creio que faz todo o sentido que seja a pessoa a se manifestar. Aliás se repararem, em muitos locais junto ao cartaz do aviso de prioridade, há um pedido para que avise o funcionário, porque ele não adivinha se é prioritário e se quer usar esse direito...



Comentários

  1. Anabela, esta lei só veio sobressair a estupidez e a falta de bom senso das pessoas!
    Já presenciei com cada cena de má educação com os funcionários.

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  2. Verdade. Esta pessoa perdeu toda a razão ao estar com ameaças. Se conhecem tão bem a lei, por não a usam como deve ser.
    Ainda falta dar mais informações de como as coisas funcionam.
    Falta civismo e respeito...

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  3. Sabes o que não me entra mesmo na cabeça?
    Estar com as compras já no tapete e só porque atrás de mim está uma grávida com o marido tive que ceder a prioridade! A sério?
    Sou parvo se calhar, mas para mim gravidez não é doença e se pode vir Às compras também pode esperar 5 minutos de pé, ainda mais com o marido ao lado?!
    Ai fico mesmo fulo...fulo...fulo.
    Beijinho.

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  4. Além disso, não é crime nenhum não conceder a prioridade.

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  5. se recusar dar prioridade e se a pessoa chamar as autoridades e se se comprovar que essa pessoa efectivamente a ela tinha direito poderá ser multado/a... mas também é verdade que ninguém o/a pode obrigar a ficar à espera que a policia chegue ao local

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  6. Sim, é multado porque se trata de uma contra-ordenação. Apenas e somente isso, não é um crime. São coisas muito distintas com consequências muito diversas.

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  7. É verdade, como eu compreendo! Trabalhei 7 anos no pingo doce e quando saiu a lei, era terrível. Presa por ter cão, presa por não ter. Se chamava uma grávida para a frente, ainda ouvia alguns incivilizados atrás dizer que também tinham prioridade, tinham doenças, etc...Por outro lado, muitas vezes não me apercebia da existência de situações prioritárias (tinha mais que fazer, como estar atenta aos trocos!!), e começavam logo a reclamar!! Graças a Deus arranjei outro emprego noutra área e despedi-me! Boa sorte! Devia haver mais respeito pelas empregadas!! Beijo

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  8. É verdade, não é nada fácil. E é mesmo isso somos presos por ter cão e por não ter. Não se consegue a gradar a todos...

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  9. Boa tarde.
    uma adenda as pessoas com mais de 65 tem prioridade mas para além da idade tem de ter alguma deficiência ou problema visível (a lei diz isso)

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  10. Sim, sim é verdade. A pessoa tem de ter alguma limitação. Obrigada

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  11. Honestamente, da lei parece decorrer que a prioridade deve ser reconhecida, sem necessidade do cliente a solicitar, no entanto, parece-me perfeitamente justificavel que em determinadas situações, porque quem está a atender é humano, e porque muitas vezes as causas da prioridade não são evidentes, o cliente se pretender usufruir da prioridade a tenha que solicitar.
    parece-me, também, que a recusa da prioridade não pode ocorrer por "culpa" de qualquer outro cliente, mas por causa apenas imputável ao estabelecimento.
    o "prioritário" não tem que pedir a todos os outros clientes para exercer o seu direito, só tem que o solicitar (e eventualmente demonstrar) junto de quem está a atender.
    Quanto às grávidas (mesmo que não se notem, ou no inicio de gravidez) podem estar com gravidez de risco, e mesmo acompanhadas, devem ter prioridade.
    E apesar de não ser doença, é um estado com alguns inconvenientes fisicos, que geram sempre alguns cuidados acrescidos (varizes, hipertensão, problemas renais....), a que se soma o facto de nalguns casos a medicação ser interrompida.
    Quanto às pessoas com crianças de colo (e não ao colo), a prioridade até pode parecer dispensável, principalmente se for acompanhada pele mãe e outra pessoa, mas a prioridade tem em vista não só a mãe, mas tambem para o bem estar do bebé.
    e estar na fila com um bebé a chorar, ou com uma mãe a dar de mamar, ou a necessitar de trocar a fralda ao bebé, não será o ideal, nem para a mãe, nem para o bebé, nem para os restantes clientes.
    Lamento que nalguns casos não se possa dar prioridade a outros casos, dependendo da boa vontade (que muitas vezes não existe) das outras pessoas, em que as pessoas estão visivelmente mal, mas não se encontram abrangidas.
    Como me parece ser o caso, de resto, pois não percebi porque a jovem queria prioridade. Tinha a perna enfaixada? mas tinha atestado de incapacidade?
    Penso que deveria haver um debate sobre as prioridades, e os motivos porque a lei as concedeu, para as pessoas perceberem que, por vezes, faz sentido que os seus direitos sejam comprimidos, por um pouco. que hoje cedem elas, e amanhã cederão outros, a elas, ou a seus familiares ou pessoas queridas, e que esperamos é que a únicas que surjam sejam as "boas", as grávidas e com crianças, e que nunca necessitemos de usufruir de nenhuma das outras...

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  12. Por fim,
    tambem gostaria de demonstrar o meu apreço por todos os funcionários que tem que fazer a dificil mediação entre os clientes que não querem reconhecer as prioridades, e aqueles (alguns) que delas abusam (ainda que às vezes o que pareça abuso possa não o ser).

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