A luta diária de uma operadora de caixa

Hoje foi um dia difícil no supermercado onde trabalho. Passei o tempo todo a chamar atenção por uma coisa ou outra. A maioria aceitava e até pedia desculpa, mas outros tinham que discordar ou questionar.


Houve uma altura em que estava a concluir um atendimento, quando olho para o tapete tinha quatro pessoas , perguntei se estavam todos juntos, disseram que não, então tive de pedir para voltarem atrás porque não podiam estar todos em cima uns dos outros. E um cliente diz "então se estivéssemos todo juntos já podíamos, mas qual é a diferença?" Ao que respondi "se fossem todos da mesma casa o contágio era entre vocês, assim é diferente!" Abanou a cabeça, certamente por achou que a minha resposta não era satisfatória.


Depois há pessoas que  passam pela caixa dando  toques no  cliente que está a ser atendido, e nem desculpa pedem. Nem tinham de passar por ali. Há um local para saírem sem compras, sem incomodar ou empatar e até tocar quem está a ser atendido na caixa.


Depois há aquelas pessoas que devem de ir ter ao supermercado sem querer, apenas caem ali de para-quedas, ou sei lá, não levam as coisas que precisam do carro, sacos, carteiras, carrinho de compras cupões, só empatam.


E as senhoras demoram tanto tempo a pagar, tiram a carteira dos cartões, depois tiram a das moedas, depois metem  na mala, retiram de novo. E depois ainda ficam a fazer sala em vez se seguir e dar lugar aos outros.


As pessoas adultas são mais indisciplinadas que  as crianças, porque as crianças aprendem, aceitam, percebem e obedecem, estas não!


Quando me dizem "a ver se a pandemia acaba para ficarmos mais à vontade", eu só penso "espero que mesmo com o fim da pandemia algumas regras fiquem".


As pessoas andarem a chocar umas com as outras; as pessoas estarem em cima umas das outras no momento do pagamento; a falta de privacidade; o estarem a soprar para cima da operadora; o estarem quase em cima do nosso teclado; os clientes darem nos os artigos em mão pela frente, principalmente os mais pesados . Nada destas coisas me farão falta ou saudades, pois sempre foram comportamentos incorretos!


Eu sei que estou ali para trabalhar, e tudo faz parte, mas há dias em que me sinto cansada psicologicamente. Há pessoas que vão lá semanalmente, e fazem sempre os mesmo erros, tentam sempre ludibriar, tentam sempre "pular" as regras, não por desconhecimento, mas por implicância.


É uma luta diária para que se cumpram regras de saúde  de segurança! Que bom seria se o vírus se fosse embora, mas que as pessoas adotassem as regas básicas de civismo, só mesmo as mais básicas!



Comentários

  1. Penso que a melhor estratégia é fazer tudo com muita calma, assim mantemos a nossa atenção! Para além disso, atualmente, procura ir às compras menos vezes e com mais tempo, assim faço-o com mais cuidados!
    Beijinhos

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  2. Sei muito bem o que isso é, embora já não tenha estado a atender ao público quando a pandemia começou. Há muita gente que, pura e simplesmente, não ouve. Muita força para aguentar esses dias, não está errada, eles é que estão

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  3. Fez muito bem. Eu , na minha última gravidez, tinha de chamar a atenção das pessoas para a minha barriga para me darem prioridade. Como isso me passou a irritar, passei a ir para a zona dos cestos ( de self-service).
    Saudações jazzísticas
    MM

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  4. A vida é bela.
    Mas há outra gente que quer dar cabo dela.
    Tenha paciência, amiga.
    Abraço de... sentida solidariedade.

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  5. As pessoas não têm calma, têm é sempre muita pressa...
    Obrigada pela sua atitude :)

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  6. Obrigada pelo apoio. Já ajuda saber que existe quem nos entenda!

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  7. Eu já tive dúvidas em relação á gravidez de algumas clientes. Uma vez chamei uma pessoa que não estava grávida e a pessoa perguntou-me se a achava gorda, mas não foi isso foi a posição. Mas quanto mais me justificava, mais me entalava.

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  8. Vou tendo alguma paciência. Obrigada pelo apoio.

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  9. Apesar destes clientes serem suficientes para nos estragar o dia, gosto de pensar que os outros e nós, os que temos civismo e bom senso, somos mais

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