Quando a operadora de caixa, se veste de cliente


 

Acontece-me frequentemente, logo após terminar o meu turno, passar de funcionária a cliente. Dispo a farda de operadora de caixa e visto o uniforme de quem vai fazer compras. Ainda assim, o olhar atento de quem me conhece não falha: os clientes reconhecem-me sempre.

Naquele dia, já tinha escolhido a caixa de um colega e colocado os meus artigos no tapete rolante. Foi então que se aproximou uma senhora de idade, com aquele jeito carinhoso de quem mete conversa.—“Olha, hoje está desse lado do balcão!”, disse-me a sorrir. Respondi-lhe, com a minha melhor simpatia, que às vezes também me tocava a mim ser cliente.

O meu olhar prendeu-se num detalhe: ela trazia um chapéu absolutamente encantador. Olhava para ela genuinamente fascinada. Percebendo a minha admiração, explicou-me que o usava para se proteger do sol, disse-me que era alentejana, e até partilhou orgulhosa o preço e o lugar onde o tinha comprado. Não hesitei em elogiá-la. Disse-lhe que o chapéu lhe assentava lindamente e que a tornava ainda mais bonita.

Com uma modéstia tímida, ela agradeceu o elogio, mas desabafou: “Ah, eu já não sou bonita… já sou velhota”. O meu coração apertou e fiz questão de reafirmar, com toda a certeza do mundo, que a beleza não tem idade e que ela estava linda, sim.

Conversa puxa conversa, e ela confessou-me que tinha escolhido aquela fila de propósito por causa do “menino” da caixa. Dizia que gostava muito dele, por ser sempre tão simpático e atencioso. Concordei de imediato e fiz questão de acrescentar mais algumas qualidades do meu colega.

A verdade é que sinto um orgulho enorme nesta equipa. Estes jovens — tanto os rapazes como as raparigas com quem me cruzo diariamente no trabalho — são todos de uma simpatia, educação e incríveis. Infelizmente, por incompatibilidade de turnos, não consigo conviver com todos como gostaria. Mas posso dizer, de coração cheio, que temos a sorte de ter um grupinho maravilhoso na nossa linha de caixas.

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