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Invasão de espaço

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  Como operadora de caixa, assisto por vezes a cenas que me deixam profundamente indignada. Na nossa loja, os sacos de ráfia estão expostos ao público com o respetivo preço. No entanto, mantemos sacos extra organizados , como se estivessem dentro do balcão, uma zona reservada. Há dias, vi uma cliente ir a uma dessas caixas que estava fechada, ou seja, sem operador de caixa, invadir   esse espaço e começar a remexer no nosso material para tirar um saco. Porquê mexer ali e deixar tudo desarrumado, se tinha os mesmos sacos mesmo ao lado, na zona pública? Isto é pura falta de civismo e de educação. Nestes momentos, a vontade é de chamar a atenção, mas corremos sempre o risco de o cliente levar a mal. Algumas pessoas perderam a noção da empatia e do respeito pelos espaços que são reservados, pelo trabalho dos outros e pelos funcionários que os atendem. Trabalhar no atendimento ao público exige mesmo muita paciência!

Um jovem muito simpático

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  Lá estava eu, em mais um dia de trabalho na caixa do supermercado. Um dia aparentemente idêntico a tantos outros, ainda que a vida nunca nos dê dois dias exatamente iguais. A acompanhar uma cliente, vinha um jovem com um sorriso imensamente simpático. De repente, ele reparou no meu crachá. Com uma curiosidade genuína, disse-me que partilhávamos o mesmo apelido. Enquanto eu passava os produtos pelo leitor, ele ia fazendo perguntas. Algumas repetiam-se. Foi aí que o meu coração percebeu: estava diante de um jovem verdadeiramente especial. A mãe, com receio de incomodar, chamou-lhe a atenção e pediu-lhe para não me aborrecer. Olhei para ela e respondi, com toda a sinceridade do mundo, que ele não me aborrecia nada. Pelo contrário, aquela conversa estava a ser muito divertida. Ele demonstrava um interesse tão puro em perceber como funcionava o meu trabalho. Transbordava educação, gentileza e uma inteligência brilhante. Aquele momento fez-me refletir. Se olharmos para além d...

Dar uma volta enorme para ficar no mesmo lugar

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  Neste trabalho de caixa de supermercado, os dias nem sempre são monótonos. Há sempre situações e clientes que, pelas suas características, criam momentos únicos. Há dias, uma cliente chegou à minha caixa com o carrinho de compras e, em vez de parar ao lado do tapete para retirar os artigos, avançou direta à zona de saída, como se se fosse embora sem pagar. Eu, meio atrapalhada e aflita, apontei para o local correto e disse: "Olhe que tem de colocar as compras deste lado do tapete!". Foi aí que ela deu a volta ao carrinho - depois de andar uns metros na zona de saída e quase entrar na loja Wells - e disse que só tinha ido ali para ficar na frente do carrinho porque lhe dava mais jeito! Ofendida, ainda me perguntou se eu achava que ela ia sair sem pagar, alegando que já era cliente ali há vários anos (o que, sinceramente, não me pareceu, pois não tinha uma cara nada habitual). Não respondi nada. Respirei fundo, mas tenho a certeza de que ela percebeu o meu semblante de espa...