Um jovem muito simpático
Lá estava eu, em mais um dia de trabalho na caixa do supermercado. Um dia aparentemente idêntico a tantos outros, ainda que a vida nunca nos dê dois dias exatamente iguais.
A acompanhar uma cliente, vinha um jovem com um sorriso imensamente simpático. De repente, ele reparou no meu crachá. Com uma curiosidade genuína, disse-me que partilhávamos o mesmo apelido.
Enquanto eu passava os produtos pelo leitor, ele ia fazendo perguntas. Algumas repetiam-se. Foi aí que o meu coração percebeu: estava diante de um jovem verdadeiramente especial. A mãe, com receio de incomodar, chamou-lhe a atenção e pediu-lhe para não me aborrecer. Olhei para ela e respondi, com toda a sinceridade do mundo, que ele não me aborrecia nada. Pelo contrário, aquela conversa estava a ser muito divertida.
Ele demonstrava um interesse tão puro em perceber como funcionava o meu trabalho. Transbordava educação, gentileza e uma inteligência brilhante.
Aquele momento fez-me refletir. Se olharmos para além das limitações e focarmos nas capacidades, na vontade e no acompanhamento certo, a inclusão transforma-nos. Ter pessoas assim a trabalhar algumas horas nas empresas seria muito enriquecedor. Todos ganharíamos.
Não falo, claro, de visões políticas que tentam forçar quem enfrenta diagnósticos graves ou doenças oncológicas a trabalhar sem saúde para isso. Falo de dar espaço ao coração. Vivemos num mundo cego pela pressa, onde a rapidez é a única prioridade. Mas se conseguíssemos abrandar, apenas por um segundo, veríamos o impacto desse gesto. Veríamos como estes jovens florescem e ficam felizes só por se sentirem úteis e integrados.
No final, quem ganhou o dia fui eu.
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