Os mini-clientes divertidos

 

Trabalhar como operadora de caixa tem os seus dias, mas são momentos como o de hoje que me enchem a alma e me relembram o lado bonito desta profissão.

No meio da rotina, surgiu um miúdo radiante a acompanhar a mãe. Vi-o pedir uns cromos de futebol que estavam junto à caixa. Preocupada, e achando que ele se estava a enganar na coleção, avisei-o com carinho: "Sabes que esta não é a caderneta do Mundial?". Com um sorriso orgulhoso, ele respondeu logo: "Sei sim, essa já a completei!". Fiquei encantada. Com uma educação e uma lábia invulgares para a idade, explicou-me como tinha trocado cromos com os amigos e como encomendara os últimos 54 à Panini.

A conversa estava deliciosa e, a certa altura, ele confessou que tinha o cromo do Cristiano Ronaldo repetido. Deixei-me levar pela brincadeira e perguntei se não mo vendia para o meu filho que, mesmo já sendo crescido, continua fã da caderneta e adorava ter esse cromo. Foi aí que a magia aconteceu. Com a maior seriedade do mundo, o pequeno cavalheiro começou a negociar comigo. Pediu-me um valor astronómico, deixando a mãe de boca aberta com tanta lata e esperteza! Rimo-nos todos.

No fim daquele turno, saí com o coração leve. Aquele menino não me vendeu o cromo, mas ofereceu-me, sem saber, o momento mais feliz do meu dia.


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