Atender e conversar com crianças


 

É sempre um gosto quando os clientes são crianças conversadeiras e simpáticas. Há dias, estava a atender um menino que, por iniciativa própria, meteu conversa comigo. Como me recordava de ele dizer que gostava da escola, perguntei-lhe como estavam a correr as aulas. No entanto, ele respondeu apenas encolhendo os ombros e com um "hum..." desanimado.

— Então, já não estás a gostar? Mudaste de escola? - perguntei.

A mãe interveio e explicou que ele tinha entrado para o 5.º ano e deixado a escola da terrinha. Eu tentei confortá-lo, dizendo que era normal sentir o impacto da mudança e de passar a ter vários professores, mas que se ia habituar.

— Não é isso... - disse-me ele.

— Então o que foi? - perguntei.

Foi aí que ele e a mãe me contaram o verdadeiro motivo: ele tinha ficado numa turma separada dos amigos mais próximos. Para além disso, a maioria dos novos colegas não falava português e os professores recorriam frequentemente ao inglês, o que o deixava um pouco aborrecido e isolado. Fiquei genuinamente empática com a situação, pois imagino o que este menino deve estar a sentir.

No final, a mãe rematou com esperança, dizendo que ele só precisa de algum tempo para se ambientar.

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