Confusão na fila do supermercado
Estava na caixa do supermercado a atender um casal que tinha muitas compras. Eles estavam organizados: enquanto um colocava os artigos no tapete de entrada, o outro embalava as coisas do outro lado. Como a quantidade era grande, utilizavam mais do que um carrinho.
A dada altura, ambos os membros do casal ficaram do lado da saída a embalar. Nem eles nem eu reparámos que, nesse momento, chegou um novo cliente. Ao ver um dos carrinhos ali parado, o homem assumiu que não tinha dono, afastou-o e começou a colocar as suas próprias compras no tapete. O problema é que o casal ainda não tinha terminado e ainda tinha outro carrinho cheio para registar; por isso, as compras do novo cliente acabaram por se misturar com as deles.
Entretanto, quando um dos elementos do casal voltou ao tapete de entrada, percebeu que o seu carrinho tinha sido desviado e que já havia ali compras de outra pessoa. Perguntou, indignado: "Mas quem é que mexeu no nosso carrinho?". O senhor respondeu que pensava que o carrinho pertencia a alguém que se tinha esquecido de alguma coisa e que, como tinha pressa, decidiu avançar.
O que se seguiu foi o cliente a ter de retirar as suas compras do tapete, visivelmente mal-humorado, para que o casal pudesse terminar de ser atendido. Ele ainda resmungou: "Vêm para aqui com dois ou três carrinhos, com tanta coisa, e os outros é que têm de esperar!".
Como se as pessoas não pudessem comprar o que querem! Quem teve a atitude incorreta foi ele, ao afastar o carrinho dos outros sem perguntar nada. Que culpa tinham eles da pressa e da falta de civismo deste senhor? Custava assim tanto ter perguntado primeiro de quem era o carrinho? Quem esteve mal, no fim de contas, foi claramente ele.

Também trabalho com o público e deparo-me frequentemente com atitudes incorretas e resmungos .
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